Igreja Adventista do Sétimo Dia - Vila Santa Maria

A Essência da Lei é o Amor

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Neste sábado tivemos uma mensagem que mexeu com a forma como entendemos a lei de Deus. O pregador começou cumprimentando a igreja com carinho e fazendo uma reflexão simples, mas poderosa: cada pessoa que vem ao culto já está sendo missionária. Ele lembrou uma frase que ouviu certa vez: "Pregue de Jesus sempre, e quando for necessário, use as palavras." A pregação pelo testemunho tem um alcance enorme, e muitas vezes vamos encontrar pessoas no céu que estarão lá não por causa do que falamos, mas por aquilo que vivemos e testemunhamos.

A pergunta de Jesus a Pedro

O pregador trouxe a cena de Jesus na praia com Pedro: "Pedro, tu me amas?" E Pedro respondeu que sim. Mas Jesus insistiu, três vezes. Muitos pregadores usam essa passagem para dizer que as três perguntas foram uma compensação pelas três vezes que Pedro negou Jesus, como se ficasse "zero a zero". Mas o pregador apresentou outra perspectiva: Jesus não estava interessado em ouvir Pedro dizer que o amava. Jesus queria que Pedro se ouvisse, que fizesse uma introspecção. Pedro precisava refletir sobre o que significava realmente amar a Jesus.

E aí veio a pergunta para nós: se Jesus nos perguntasse hoje, "tu me amas?", como responderíamos?

Gálatas 2:16 — Não é pela lei que somos justificados

O texto-base da manhã foi Gálatas 2:16, onde o apóstolo Paulo diz que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo. Paulo estava dizendo à igreja dos Gálatas que não basta dizer que guarda a lei, não basta dizer que está guardando os mandamentos — porque isso por si só não justifica, não salva, não perdoa e não encaminha para o céu.

Mas então, se é assim, para que guardar a lei? Parece que Paulo disse uma coisa e Deus disse outra lá no Sinai. Cadê o ponto de equilíbrio?

Dois exemplos: o jovem rico e o ladrão da cruz

Para encontrar esse equilíbrio, o pregador usou dois exemplos marcantes.

O jovem rico veio a Jesus e perguntou: "Bom Mestre, o que devo fazer para ser salvo?" Jesus disse: "Tens guardado os mandamentos?" E citou os mandamentos da lei, não matarás, não adulterarás, não furtarás. O jovem respondeu com orgulho: "Tenho guardado desde a minha juventude." Então Jesus disse que faltava só uma coisa: vender tudo o que tinha, dar aos pobres e segui-Lo. O jovem entristeceu-se e foi embora.

Dimas, o ladrão da cruz, por outro lado, disse apenas: "Senhor, lembra de mim quando entrares no teu reino." E Jesus respondeu: "Certamente estarás comigo no Paraíso." O pregador perguntou: que lei Dimas guardou? Nenhuma. Jesus nem perguntou se ele tinha honrado pai e mãe, se tinha furtado ou adulterado. Simplesmente ofereceu a salvação.

Então qual o ponto de equilíbrio? O jovem rico guardou todos os "não" da lei e foi embora triste. Dimas não guardou lei nenhuma e recebeu a promessa do Paraíso.

A resposta de Jesus: o maior mandamento

A resposta veio em Mateus 22:36-40, quando alguns "espertinhos", como o pregador chamou, tentaram colocar Jesus à prova perguntando qual era o maior mandamento. Jesus respondeu: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu pensamento", e completou: "O segundo é semelhante a este: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas."

A essência da lei não está nos "não". O pregador foi enfático nisso. Muita gente hoje vive os "não" da lei, não matarás, não furtarás, não adulterarás, achando que isso é a essência. Mas isso é viver na superfície. O jovem rico vivia exatamente assim: irrepreensível na conduta, mas preso à superfície. Quando Jesus pediu algo mais profundo, ele não conseguiu atender.

O pregador explicou que quando Deus entregou os "não" no Sinai, estava falando com um povo que não sabia o que era amor, depois de mais de 400 anos de escravidão no Egito. Não dava para chegar e dizer "amem os egípcios". Por isso Deus trouxe regras de conduta. Mas a intenção sempre foi levar o povo ao amor.

Da superfície à profundidade

O pregador usou os ensinos de Jesus para mostrar esse chamado à profundidade: se te pedirem a túnica, entrega a capa. Se te pedirem para andar uma milha, ande a segunda. Se te baterem num lado do rosto, oferece o outro. Cada um desses exemplos é Jesus dizendo: saia da superfície e vá para a profundidade.

E então veio João 14:15: "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos." A guarda da lei é fruto do amor, não o contrário.

A essência do amor é a servidão

Mas o pregador foi ainda mais fundo. Disse que a essência da lei é o amor, e a essência do amor é a servidão. Jesus mesmo declarou: "Eu não vim para ser servido, eu vim para servir." Isso é amor. Amor é estar pregado no madeiro, dilacerado, com uma coroa de espinhos, com uma lança no ventre, e olhar para o céu e dizer: "Pai, perdoa todos eles, pois não sabem o que fazem."

Servidão a Deus é dizer: "Senhor, que se cumpra a Tua vontade na minha vida, e não a minha." E o pregador trouxe isso para o cotidiano — não é só sobre guardar o sábado ou devolver o dízimo. É sobre as escolhas simples do dia a dia: o que eu olho no celular, o que eu falo sobre as pessoas, como eu trato aquele colega de trabalho difícil. É sobre ter a coragem de dizer nas coisas pequenas: "Senhor, que a Tua vontade prevaleça."

E sobre amar ao próximo, o pregador tocou num ponto sensível: tem muita gente abandonando a igreja porque não foi cumprimentada, ou porque alguém fez fofoca. Errado está quem fez a fofoca, claro. Mas abandonar a Cristo por conta disso é viver na superfície. Não estamos na igreja para ser servidos, estamos para servir.

Os discípulos e o poder do Espírito Santo

O pregador lembrou que os discípulos só foram batizados pelo Espírito Santo quando passaram a ser servos, quando deixaram de disputar quem ficaria à direita ou à esquerda de Jesus. Enquanto estavam focados em posição e prestígio, o poder não veio.

"A Deus tudo é possível"

Fechando a mensagem com Mateus 19:23-26, o pregador trouxe o momento em que Jesus disse que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. E ampliou: poderia ser um arrogante, um mentiroso, um avarento. Na minha vida, qual seria o contexto? Os discípulos então perguntaram: "Quem poderá se salvar?" E Jesus respondeu: "Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível."

O pregador confessou: "Eu conheço um camarada muito imperfeito, eu vejo ele todos os dias quando me olho no espelho." E por isso precisamos olhar para Cristo, porque é Dele que vem a justificação.

A mensagem encerrou com um apelo: precisamos ter raiz com Jesus, ligadura com Ele, como os ramos na videira. Tem gente tentando dar frutos desligada da videira, vivendo na superfície. Se não estivermos todos os dias olhando para a essência da lei, que é o amor, e fazendo da nossa vida uma vida de servidão, quando Jesus pedir algo mais profundo, vamos respingar como fez o jovem rico.

A raiz da lei não são os "não", é o amor. E a raiz do amor é a servidão. Que Deus nos ajude a alcançar esse nível na nossa vida espiritual.

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